Trombofilia e Complicações Gestacionais

Trombofilia e complicações gestacionais: até onde há indicação para uso do anticoagulante?

Trombofilias são anormalidades hereditárias ou adquiridas da coagulação que levam a uma maior propensão a fenômenos trombóticos. A investigação deve ser feita em jovens com trombose espontânea e história familiar da doença. Na última década houve aumento na demanda desses exames, com inclusão dos testes no seguimento pré-natal.

Qual seria o motivo? Nos anos 2000 surgiram publicações cientificas que associavam as trombofilias com complicações gestacionais como eclampsia/pré-eclâmpsia, abortamentos recorrentes e crianças com baixo peso ao nascimento.

As pesquisas que estudaram o uso de anticoagulantes em mulheres com esse perfil mostraram resultados inconclusivos. Mesmo diante da falta de comprovação, o fato de tratar-se de complicações gravíssimas com alta taxa de mortalidade materno-fetal, fez com que o uso de anticoagulantes se difundisse entre gestantes.

Mais recentemente, estudos clínicos com metodologia mais precisa e maior número de participantes concluíram que uso de anticoagulante (enoxaparina/Clexane) não tem benefício na maioria das mulheres que apresentaram complicações em gestações prévias. Seu uso deve ser reservado em situações muito específicas. Um fato importante é que abortos espontâneos nas primeiras 10 semanas de gestação são complicações não raras, muito associadas à mal formações fetais, sendo que a trombofilia não deve ser aventada como primeira hipótese.

Atenção deve ser dada ao tipo de exame solicitado. O painel de pesquisa de trombofilia é amplo e envolve testes laboratoriais caros e de difícil análise, sendo necessário laboratório especializado. Além do que, não foi mostrada relação causal entre a maioria das trombofilias e problemas na gestação.

Concluindo, a investigação de trombofilia deve ser individualizada, levando em consideração o tipo de complicação e a fase da gravidez que ocorreu. Deve-se ter parcimônia no tipo de trombofilia que será pesquisada, pois a maioria delas é desnecessária para uma decisão terapêutica adequada.

Na dúvida, procure um Hematologista!

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