Tenho trombofilia e estou grávida. Preciso tomar anticoagulante?

Trombofilias são anormalidades da coagulação que geram maior tendência a formação de coágulos (tromboses venosas, arteriais e complicações gestacionais).

Gestantes trombofílicas estão sujeitas a complicações, tanto relacionadas à doença materna (trombose venosa e embolia pulmonar) como também problemas fetais (abortos recorrentes, perda fetal tardia e pré eclampsia).

Lembrar que as trombofilias atuam de modo diferente na gravidez.

Nem toda trombofilia que aumenta risco de trombose vai causar aborto. Vou dar um exemplo prático o fator V de Leiden (FVL) favorece trombose venosa na gestante, mas nunca foi comprovado que ele seja responsável por óbito fetal.

O potencial trombogênico dessas anormalidades difere entre si. Enquanto o risco de trombose conferido pela mutação G20210A (Gene da Protrombina) é de cerca de duas vezes maior que a população geral, já na deficiência de Antitrombina esse risco é de dez vezes maior.

Com relação às trombofilias hereditárias (TH) é importante considerar também que há uma variação individual, conferida pela história pessoal e familiar.
Há portadoras sem qualquer antecedente de trombose, já outras com inúmeros casos na família da doença. Essas diferenças vão influenciar na indicação do anticoagulante.

É a chamada “expressão fenotípica” da doença. Ter simplesmente a mutação não necessariamente vai gerar doença.

Deu para entender? Confesso que é complexo. Esse é o motivo principal de ter parcimônia na avaliação de risco trombótico em qualquer paciente, ainda mais quando for gestante.

Resposta da pergunta do post:

Nem toda trombofílica vai precisar usar anticoagulante na gestação. A avaliação é individualizada. Querer oferecer uma “receita de bolo” para um assunto tão complexo não é prudente!

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