Mutação no Gene PAI-1 e Aborto

A gravidez é por si só, um estado que predispõe a trombose. O risco ainda é mais relevante na vigência de condições genéticas de hipercoagulabilidade, as chamadas trombofilias. Abortos espontâneos ocorrem em cerca de 15% das gestações, sendo as trombofilias um dos fatores imputados com essas manifestações.

Recentemente foi detectada uma nova trombofilia no contexto das complicações obstétricas. O PAI-1 (inibidor do ativador de plasminogênio tipo 1) é um fator que contribui no controle da fibrinólise, processo de degradação do coágulo sanguíneo. Altos níveis de PAI-1 reduz a fibrinólise, o que traduz no maior risco de trombose.

O polimorfismo 4G/5G é uma variação do gene do PAI-1 que está relacionado com as concentrações sanguíneas desse fator. O alelo 4G acarreta maiores níveis sanguíneos, enquanto o alelo 5G resulta em menores taxas de PAI-1.

Trabalhos mostram maior frequência do alelo 4G (especialmente quando em homozigose – 4G/4G) no sangue de mulheres com abortos de origem desconhecida.

Por outro lado há relato de que a prevalência dessa mutação é alta em certas partes do mundo, mesmo em mulheres saudáveis.

Em minha opinião deve-se ter cautela na solicitação e interpretação desse exame no contexto de complicações gestacionais. Ainda não há dados inequívocos que comprovem uma associação direta entre a mutação e aborto.

Para finalizar, reforço que a investigação de trombofilia deve ser individualizada. Considerações sobre o perfil de risco trombótico, história pessoal, familiar e o tipo de ocorrência obstétrica são fundamentais para o correto manejo dessas pacientes.

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