COVID-19 e Trombose

A experiência clínica mundial com a pandemia mostra que formas graves da infecção causam quadro de resposta inflamatória sistêmica com ativação da coagulação e surgimento de fenômenos trombóticos. Essa situação é denominada CIVD (coagulação intravascular disseminada).

Relatos de pesquisadores de Wuhan na China, foco primário da epidemia, demonstram que o D-Dímero, marcador de geração de trombina, representa um índice prognóstico relevante de mortalidade. Níveis elevados desse marcador (maior que 1000 ng/ml) foram associados a cerca de vinte vezes mais chance de mortalidade.

Isso nos leva a crer que uma coagulopatia trombótica faz parte do curso clínico de pacientes com formas graves de COVID 19. O conhecimento desse fato implica na implantação de estratégias antitrombóticas em pacientes críticos com a infecção.

Especialistas sugerem a dosagem precoce do D-Dímero nos pacientes com a infecção, pois representa critério de má evolução. Além do que, pacientes internados em UTI com suspeita de COVID-19 devem receber anticoagulação profilática (preventiva) com heparina.

Gostaria também de esclarecer uma dúvida recorrente dos portadores de trombofilias, em uso ou não de anticoagulantes. Não há qualquer evidência de maior risco de formas graves de COVID-19 nesses pacientes, ou seja, não é por ser portador do vírus que a pessoa terá trombose.

Pacientes anticoagulados permanecem com a medicação e aqueles que não usam permaneçam sem a droga.

Não vamos tomar condutas baseada no pânico e sem evidência.

A informação que gostaria de passar através desse post é que, infecção grave pelo novo coronavírus tem potencial trombótico. Anticoagulação precoce, após minuciosa avaliação médica, melhora a evolução da doença e reduz a mortalidade.

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